Todos os elefantes -brancos como a neve- dormem
sob o luar. Estão exaustos. Nem
ligam mais para seus motivos
e aspirações.
A morte vem leve junto ao vento, arrepiando
os parcos pelos de rato gigante.
Súbito, e isso quando em vez, despertam
para olhar os passantes. E esses os percebem,
desesperam-se, caem em agonia profunda,
rezam terços e
vendam os olhos com
infame alegoria etílica.
São irresponsáveis. Os olhares
trocados marcam o espírito. O que
foi visto não pode ser
desvisto; o que foi sofrido
não será esquecido.
“Temos barriga para quê, afinal de contas?”
Empurra-se ao eterno da ilusão
os desgostos da rotina, já que
a (e há!) sombra limita às bordas
o visto e o
não
visto.
Os traços, mesmo turvos, estão salgados.
Sal de mar. Mareado. Molhado. Ardendo
os olhos.
A culpa, toda ela, fica com os pobres
elefantes, mesmo que entre eles apenas a
alteridade faça sentido. Sem nome nem
ontologia. Apenas outros.
“Não nos culpem, tolos, por nos chamarem do
que bem entendem.”
sexta-feira, 27 de maio de 2011
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